Uma pesquisa da empresa pública que administra o transporte coletivo de São Paulo, Brasil, indica que as mulheres são maioria entre os passageiros dos ônibus urbanos e têm menor possibilidade de adotar o teletrabalho

Mulher no transporte público. Foto: Câmara dos Deputados do Brasil

A empresa pública gestora do sistema de transporte por ônibus na maior cidade do Brasil, a São Paulo Transporte S/A – SPTrans divulgou no final de maio de 2021 dados de uma pesquisa, mostrando que a maioria das pessoas que utilizam transporte público por ônibus é formada por mulheres.

A divulgação aconteceu durante o Webinar Maio Amarelo: Gênero, segurança e mobilidade, o quarto e último da série Ruas mais seguras e acessíveis: Os novos rumos da mobilidade, realizado pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, e a Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global, por meio da Vital Strategies. A íntegra da pesquisa deve ser publicada em junho.

Intitulado Pesquisa de Hábitos e Intenções de Uso na Pós-Pandemia o estudo apontou que 57% dos passageiros são mulheres jovens, negras, com ensino médio completo, com ocupações no setor do comércio e renda média familiar de R$ 2,4 mil (USD 465,05), da classe C.

A pesquisa, que foi feita pela Assessoria de Pesquisa da Diretoria de Planejamento de Transporte da SPTrans entre setembro e outubro de 2020 com cerca de 600 passageiros do sistema municipal, mostrou ainda que para 70% dos passageiros de ônibus da cidade o trabalho tem de ser realizado presencialmente.

TENDÊNCIAS

A pesquisa revelou que, embora neste momento de pandemia haja uma migração dos homens para o carro ou moto e das mulheres para o andar a pé ou o uso de aplicativos, a tendência é de permanecer no transporte público e que ele continuará sendo utilizado especialmente por mulheres.

Um dos aspectos percebidos na pesquisa é que a grande maioria não possui carro nem motocicleta e dos que possuem, a maioria são homens.

É importante observar o fato de que quem não possui carro ou motocicleta não pretende comprar esses veículos após a pandemia. Isso demonstra que, embora neste momento de calamidade, de emergência, houve migração dos homens para o carro e moto e uma pequena migração entre mulheres para andar a pé ou de aplicativo, a pesquisa demonstra que a grande intenção é de permanecer no transporte público e que o transporte público continuará sendo utilizado especialmente por mulheres, razão pela qual, para a coordenação da pesquisa políticas públicas precisam continuar sendo ainda mais efetivas para esse público

AÇÕES NECESSÁRIAS

O estudo indica a necessidade de haver ações para recuperar e manter a demanda de passageiros no pós-pandemia: combater o abuso sexual; ações de limpeza, higienização, ventilação dos veículos; regularidade do serviço; comunicação com o usuário; priorização viária do transporte público.

Segundo ainda os coordenadores da pesquisa, verificou-se que neste momento de pandemia, embora a grande ordem seja ficar em casa, esta não é a realidade dos passageiros de ônibus, pois, entre esses, só 30% puderam adotar o teletrabalho.

E também: além de as mulheres serem as que mais perderam seus empregos e tiveram maior redução de renda, foram também as que tiveram menores oportunidades de fazer teletrabalho.

MAIO AMARELO

O Maio Amarelo é um movimento internacional de conscientização para redução de acidentes no trânsito que surgiu em maio de 2011, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Década de Ação para Segurança no Trânsito.

Em 2017, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, realizou pela primeira vez ações do Movimento na cidade. Em razão da pandemia de Covid-19, o Maio Amarelo 2021 conta com uma programação on-line, voltada para educação e discussão de temas relevantes à mobilidade e segurança viária.

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