Perto de participar da Semana UITP América Latina 2020, em 7 e 8 de outubro, o secretário-geral da UITP, Mohamed Mezghani, fala sobre o transporte público durante e após a pandemia

ALEXANDRE ASQUINI

O secretário-geral da UITP, Mohamed Mezghani, fará uma exposição na Semana UITP América Latina 2020, que acontecerá na quarta e quinta desta semana, 7 e 8 de outubro de 2020. Será um evento virtual e com inscrições gratuitas.

Nesta entrevista, Mohamed Mezghani fala sobre a crise trazida pela Covid-19, o desempenho da UITP e as perspectivas para o setor após a pandemia.

MOBILITAS – O senhor esteve na vanguarda das ações da UITP em nível global durante a crise de saúde da Covid-19 e será palestrante no segundo dia de abertura da Semana América Latina 2020. Uma primeira pergunta: Considerando uma abordagem geral, as estratégias adotadas em diferentes regiões e por diferentes países atingiram os objetivos propostos?

MOHAMED MEZGHANI – A pandemia tem sido gerida de diferentes maneiras em todo o mundo, uma vez que cada cidade, cada país tem uma liderança diferente, o que implica variadas decisões políticas, as quais, é claro, impactam o transporte público, mesmo que o setor não esteja envolvido na tomada dessas decisões. A respeito dos países e regiões que decidiram conceder financiamento e apoio mais cedo do que outros, digo que considero essas decisões muito bem-vindas. Esses países poderiam ter mostrado o caminho para aqueles que vieram a seguir. Em relação ao transporte público, alguns países e regiões foram rápidos em implantar políticas para reconhecer sua importância e garantir que o setor recebesse a atenção necessária que um serviço vital deveria receber. Não importa qual país ou líder esteja tomando essas decisões, o valor e a necessidade do transporte público devem ser sempre reconhecidos. O apoio do governo é vital para umserviço essencial e, independentemente das decisões tomadas, aqueles que gerenciam e mantêm as redes de transporte locais foram rápidos em implantar políticas e garantir que os requisitos necessários fossem cumpridos. O que sempre fica claro é que o transporte público deve permanecer no topo da agenda política, independentemente do país ou região que estejamos discutindo.

MOBILITAS – As ações realizadas seguiram um caminho para retomar os casos de mudanças relevantes de rumo? Houve troca de experiências entre os responsáveis ​​pelas ações e, em caso afirmativo, qual o papel da UITP nessa troca?

MOHAMED MEZGHANI – A UITP trabalha diariamente com operadores de transportes públicos, autoridades e associações. É claro que essa conexão e colaboração permaneceram fortes durante a pandemia. Também trabalhamos com muitos tomadores de decisão em nível federal e local, em todo o mundo, por meio nosso trabalho contínuo de defesa e divulgação. Sabemos que a colaboração realizada dessa forma é essencial para a defesa do transporte público, pois os que desempenham funções de decisão podem desencadear políticas que impactam o setor. Durante a pandemia, parte de nossa divulgação tem se concentrado no lado digital e em nossos intercâmbios online, com webinars e eventos, bem como no envio de publicações de nossa equipe de especialistas. Aqueles com experiência na tomada de decisões fizeram parte deste resultado. Como a única associação deste tipo a reunir todas as partes interessadas relevantes, a UITP pode desempenhar o papel necessário na ligação do setor e, como sabemos, aqueles que tomam decisões referentes ao transporte público têm contato regular com operadores de redes locais e autoridades.

MOBILITAS – Como a América Latina está enfrentando essa crise?

MOHAMED MEZGHANI – Como sabemos, haverá diferentes respostas a uma pandemia em diferentes partes do mundo. Quando se trata de transporte público, a resposta deve ser semelhante, pois a importância do setor para nossas cidades é primordial, não importa onde você esteja. Na América Latina, sabemos por nossa base regional e por nossos associados locais que existem fortes recomendações em favor do transporte público. Mais investimentos em transporte público dentro das cidades são sempre necessários e na América Latina a pandemia revalorizou os serviços e o comércio em alguns bairros com a possibilidade de criação de subcentros mais dinâmicos nas cidades. Com qualquer crescimento potencial, os investimentos em redes e em infraestrutura andam de mãos dadas. Em havendo mais investimentos na criação de um melhor uso do solo, conforme as cidades se expandem, é possível reduzir as distâncias entre locais de trabalho, residência, educação e cultura. A pandemia do novo coronavírus nos mostrou que podemos encontrar maneiras melhores de fazer certas coisas, e se o transporte público enfrenta um novo futuro em um mundo pós-pandemia, reconstruir da melhor maneira é a chave. As pessoas estão se acostumando com novas formas de trabalhar e com a crescente flexibilidade no ambiente de trabalho e nas escolas, a gestão da demanda por transporte tem ganhado mais atenção no planejamento da operação do transporte público. À medida que aprendemos uns com os outros, podemos ver o que funcionou e está funcionando em todo o mundo e procurar adotar os resultados de sucesso e construir tudo o mais.

MOBILITAS – Quais são os riscos que ainda existem? Que riscos haverá após a pandemia?

MOHAMED MEZGHANI ­– Sempre acreditei na condição positiva do transporte público. Sabemos o que faz por nossas cidades e por nosso modo de vida. Na UITP, continuamos a defender o transporte público durante a Covid-19. Uma extensa pesquisa nos diz que o risco de transmissão a bordo do transporte público é baixo, portanto, as pessoas não devem ter medo de usá-lo e ninguém deve sentir a necessidade de evitá-lo. O transporte público é um serviço essencial, isso ficou claro durante a pandemia, pois ele nunca desapareceu. Também acredito que o transporte público é subvalorizado e isso pode levar à vulnerabilidade. Isso por si só pode ser um risco. Muitos governos têm dado como certo que o transporte público pode se sustentar sozinho, ao mesmo tempo em que expressam seu apoio e destinam fundos para a indústria aérea e automotiva. Todos devem continuar a mostrar os benefícios dos transportes públicos e devemos abordar as preocupações para que o setor esteja pronto para todas as situações. As novas formas de integração da limpeza e da higiene nos transportes públicos devem ser mantidas; é importante que os passageiros vejam isso acontecer. Estamos vendo o número de passageiros retornando em locais ao redor do mundo onde as restrições foram suspensas e o transporte público continua sendo o serviço essencial de sempre. Os riscos residem em que mentiras sobre os transportes públicos sejam tidas como verdades. Só investindo, mantendo e defendendo os transportes públicos poderemos ter uma melhor mobilidade para todos.

Sobre a Semana UITP América Latina 2020

Durante a Semana UITP América Latina 2020, serão realizadas 40 sessões sobre diversos temas, com 85 palestrantes de todos os cantos da América Latina e do mundo.

 A UITP informa que no final de setembro mais de 500 delegados de 50 países se inscreveram, 70% dos quais da América Latina.

A entidade garante que o encontro proporcionará um olhar além do que já conhecemos, com o conhecimento de especialistas de diferentes países e setores da mobilidade.

Esta edição do encontro anual da entidade contará com espaços virtuais interativos: uma sala de conferências, um pavilhão de exposições e uma área de networking.

Nos estandes virtuais será possível baixar os mais diversos materiais atuais de fornecedores mundiais que possuem produtos desenvolvidos para a América Latina Trata-se de um evento ao vivo por dois dias, que ficará disponível por 30 dias para visitar e consultar o material de tendências. A reunião terá início em 7 de outubro de 2020, mas todo o conteúdo permanecerá disponível até 10 de novembro de 2020.

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