Vida ou economia: um falso dilema. Por Valeska Peres Pinto, arquiteta e urbanista, coordenadora do Programa Melhores Prática da UITP América Latina

A quem serve explorar um falso dilema, uma falsa oposição?Esta pergunta não cala. Defender vidas significa defender o que não é substituível. Os mortos não retornarão e não contarão na recuperação do país, seja econômica ou socialmente.

Para o setor do transporte público que continua trabalhando, este dilema ainda é mais incompreensível. Todos os dias o setor está garantindo serviços e expondo pessoas ao risco do contágio – usuários e trabalhadores.

As experiências vindas de outros países apontam que poupar vidas é importante para recuperar a economia. Entre uns e outros ficam aqueles setores que não pararam, ainda que acumulando perdas e dívidas.

A pandemia escancarou nossas fraturas e desigualdades, que vão além da dimensão continental do nosso país. Estas fraturas e desigualdades estão presentes nas nossas metrópoles, nas nossas regiões metropolitanas ainda carentes de uma coordenação efetiva.

Neste contexto, garantir a mobilidade urbana pela manutenção do transporte público em operação é a condição necessária para minimizar, senão resolver, os efeitos destas fraturas, garantindo as vidas que serão importantes para reconstruir nossa sociedade econômica e socialmente.

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