Megatendências na mobilidade urbana, segundo Jurandir Fernandes, presidente da UITP América Latina

Como a tecnologia impacta o transporte de passageiros, que já se beneficia de inovações como conectividade, compartilhamento e eletrificação

MÁRCIA PINNA RASPANTI

Jurandir Fernandes, presidente da Divisão América Latina da Associação Internacional de Transporte Público (UITP, na sigla em inglês),afirma que é necessário começar a discutir quais são as questões realmente relevantes para o setor, em face do ritmo acelerado das mudanças que a tecnologia tem imposto à sociedade. ”É importante observar tudo que está acontecendo e estar preparado para as transformações, porque elas chegarão mais rápido que imaginamos.”

Jurandir Fernandes

Fernandes lembra que o mercado deve entender que já estão ocorrendo mudanças no seu modelo de negócios. Para o especialista, a mobilidade já é impactada por inovações como inteligência artificial, robótica, blockchain, carros autônomos, carros elétricos e aplicativos para transporte. “Não dá para ficar alheio ao que está acontecendo. O importante é buscar conhecimento e encontrar as oportunidades que esta evolução da tecnologia proporciona”, alerta.

Fernandes cita como exemplo o segmento de fretamento,que pode encontrar diferentes nichos de mercado se estiver atento às mudanças no perfil dos usuários. “As empresas podem oferecer serviços personalizados de acordo com a necessidade do usuário, com horários flexíveis, mas previsíveis. Estas são demandas das pessoas na atualidade: customização de serviços e produtos, além de comodidade. A tecnologia evoluiu muito rapidamente e os passageiros vivem essa realidade, tornando-se mais exigentes.”

A sociedade de hoje assiste a modificações nos padrões de produção, no consumo de alimentos e energia, no entretenimento e turismo, na urbanização e em megacidades e a um crescente envelhecimento da população. “Houve grandes mudanças estruturais, nos últimos 60 anos, em todas as áreas. Passamos pela era dos mainframes, da internet, dos notebooks, smartphones, tablets, e agora pela era da internet das coisas. O mundo está cada vez mais conectado”, destaca.

“Ontem, os algoritmos buscavam o que você pedia e traziam informações. Hoje, os algoritmos registram seu histórico de buscas e sua agenda, seus deslocamentos, compras, manifestações. Amanhã, os algoritmos serão compartilhados com pessoas e coisas. Trocarão informações entre si e tomarão decisões”, diz Fernandes. “Os celulares se tornaram um canal de informação, interação e relacionamento, trazendo alterações de comportamento.”

No setor de transporte de passageiros, as principais tendências são: veículos autônomos, transporte sob demanda, aplicativos para mobilidade e transporte compartilhado. “A mobilidade passa a ser um serviço integrado”, lembra. A eletrificação também está impactando o mercado. “Hoje, temos três milhões de veículos elétricos no mundo, sendo que em 2013 eram 400 mil. Da frota total, 470 mil são ônibus e 80% deles estão na China. Mas ainda há desafios para a eletrificação se expandir, principalmente no Brasil”, acredita.

Fernandes faz um alerta para os “pesos-pesados” das inovações tecnológicas: inteligência artificial, robótica e blockchain. “Essas tecnologias já são uma realidade. A robótica, por exemplo, já é parte da produção industrial. A inteligência artificial avança em diversos segmentos, desde medicina até sistema financeiro. O blockchain, cuja proposta é transação ponto a ponto sem intermediário, ainda gera dúvidas em relação à validação das transações, mas é uma forte tendência.”

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