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Hidrovia Amazônica: integração e segurança

Categoria: Matérias

Publicado em 23 out 2019

4 minutos

Hidrovia Amazônica: integração e segurança

O Peru planeja uma grande obra para o transporte fluvial na região, mas o projeto tem levantado muitas controvérsias nos aspectos ambientais e sociais

MÁRCIA PINNA RASPANTI

O projeto Hidrovia da Amazônia do Peru é uma iniciativa do governo peruano que para promover a navegabilidade segura e permanente na Amazônia, por meio de seus quatro principais rios: Amazonas, Huallaga, Marañón e Ucayali. A hidrovia garantirá um canal de navegação seguro e um corredor logístico com uma extensão de 2.687 quilômetros.

O projeto é estratégico, pois possibilitará a integração da Amazônia no chamado eixo multimodal do Norte, que une os departamentos de Piura a Loreto, e permite a integração com os países vizinhos como Equador, Colômbia e Brasil.

Segundo a concessionária responsável pelo projeto, a Cohidro, o transporte fluvial será responsável por um aumento substancial da capacidade de carga ao longo do ano. Outra vantagem seria a redução do tempo de viagem e de perdas de produtos perecíveis, além de menor risco de acidentes. As informações sobre as condições do canal de navegação e sobre as atividades e serviços que serão realizados na hidrovia serão transmitidas via GPS.

O projeto multimilionário, com custo estimado em US$ 95 milhões, prevê a dragagem dos quatro maiores rios da região amazônica do Peru. O consórcio Cohidro é uma parceria entre a SinohydroCorp, uma empresa de engenharia chinesa, e a Casa, uma empresa de construção peruana, que foi contratado para coordenar o projeto em 2017. Cada empresa tem 50% do consórcio.

Se receber o sinal verde no final deste ano, conforme esperado, a hidrovia poderá entrar em operação já em 2022, inaugurando com uma concessão de 20 anos.

A Hidrovia Amazônica foi declarada projeto de interesse nacional e contemplada pelo Ministério de Transportes e Comunicação do Peru entre os 52 projetos-chave de infraestrutura que devem ser realizados no país para amenizar um déficit de 110 bilhões de dólares na infraestrutura, o equivalente a cerca de metade do PIB do país.

PREOCUPAÇÕES

As comunidades indígenas se preocupam com o impacto das dragagens na ictiofauna, além dos planos de remover os troncos das árvores que ficam submersos no rio, conhecido como quirumas, local de reprodução de peixes. As dragagens também afetam a migração dos peixes e a segurança alimentar de toda a região da floresta amazônica, segundo um relatório da WildlifeConservationSociety no Peru.

CármenBenitez, diretora do Projeto Hidrovia Amazônica da Concessionária Puerto Amazonas (Copam), chama a atenção para o transporte fluvial informal que é muito frequente na região, que não tem um controle efetivo por parte do governo. “Num primeiro momento, notamos a necessidade de conhecer melhor o sistema, levantar quem circula por esses rios, o que transporta e como o faz. Assim, surgiu o projeto do porto Yurimaguas, que foi objeto de concessão e já está funcionando. Essa foi a primeira etapa para a consolidação da hidrovia”, diz.

Carmen afirma que uma série de medidas será tomada para evitar os impactos negativos das dragagens nos rios. “As comunidades poderão usar os rios da forma sempre utilizaram. Outro ponto importante é que será cobrada uma tarifa para navegar pela hidrovia. As empresas que atuam na região não estão acostumadas a pagar nada, por isso, resistem ao projeto. Mas hoje há muitos acidentes e colisões, que poderão ser evitados com a implementação da hidrovia”, explica.

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