Começa a modernização

Iniciam-se nesta segunda-feira, 11 de julho de 2022, os trabalhos de modernização da Linha 1 do Metrô da Cidade do México.

Nos dois dias anteriores – 9 e 10 de julho – interromperam-se as operações entre as estações Pantitlán e Isabella Católica, para atividades de preparação.

OBRAS EM DUAS ETAPAS

As obras serão realizadas em duas etapas. A primeira fase compreende 12 estações – da inicial, Pantitlán, a Salto del Água; entre ambas, encontram-se as estações Zaragoza, Gómez Farias, Boulevard Puerto Aéreo, Balbuena, Moctezuma, San Lázaro, Merced, Pino Suarez e Isabella Católica.

A expectativa é de que os trabalhos dessa primeira seção estejam concluídos em março de 2023, quando, então, serão iniciadas as obras da segunda seção, entre as estações Baldera e Observatório, com conclusão prevista para agosto de 2023. Neste segundo trecho, as estações intermediárias são Cuauhtémoc, Insurgentes, Sevilla, Chapultepec, Junacatlán e Tacubaya.

IMPORTÂNCIA PARA A CIDADE

A Linha 1 é significativamente importante para o sistema de transporte da Cidade do México. Antes da pandemia, transportava de 500 mil a 750 mil passageiros por dia.

Conecta-se com outras nove linhas do sistema de metrô da cidade – Linhas 2, 3, 4, 5, 7, 8, 9, A y B. Conecta-se também com quatro linhas do Metrobús – Linhas 1, 3, 5 e 7; com quatro linhas do sistema Trólebus – Linhas 1, 2, 4 e 6, e também com os serviços de ônibus da Rede de Transporte de Passageiros (RTP).

Segundo informou ou governo da Cidade do México, para apoiar o transporte de passageiros no período de fechamento das estações da primeira fase de obras de modernização da Linha 1, foram habilitadas quatro linhas especiais de ônibus urbanos da Rede de Transporte de Passageiros (RTP). Essas linhas de ônibus ligarão as duas pontas e estações intermediárias do trecho paralisado da Linha 1 do metrô.

Objetivos e necessidade da modernização

As obras da Linha 1 do Metrô da Cidade do México propiciarão a modernização de sistemas elétricos e eletrônicos, com implantação de novas pistas e sistema de alimentação, novo sistema de rastreamento e controle de trens baseado em comunicações (CBTC).

Sete estações sofrerão intervenções para corrigir aspectos de sua deterioração, como a ocorrência vazamentos, além de torná-las de acesso universal.

Serão inseridos na linha 29 novos trens com 35% mais espaço para os passageiros. O governo enfatiza que serão trens mais modernos, projetados e fabricados especialmente para o Metrô da Cidade do México. E que a montagem dos trens acontecerá no México, “com geração de empregos e transferência de tecnologia e conhecimento”.

No percurso integral entre Pantitlán a Observatorio, o tempo de viagem se reduzirá de uma faixa entre 45 e 50 minutos para 30 minutos.

NECESSIDADE DA MODERNIZAÇÃO

Sobre a necessidade de modernização, o governo da Cidade do México explica que a Linha 1 tem 53 anos de serviço (está em operação desde 1969), enquanto a vida útil média dos sistemas é de 40 anos. Em outras palavras, a Linha 1 ultrapassou o limite de vida útil há 13 anos.

Todos os sistemas – de via, sinalização, elétricos e eletrônicos – completaram sua vida útil e entraram em obsolescência. Assim, faltam peças de reposição, porque não são mais fabricadas no mercado; nenhuma grande reforma ou mudança foi feita em mais de meio século.

A Linha 1 começou a ser construída em 1967 e foi inaugurada em 1969. Em 2005, sofreu uma intervenção menor do que a programada para este ano. Em 2014, foi submetida a uma análise para diagnóstico detalhado de seu estado, serviço efetuado pelo Metro de Paris.

A preparação da modernização da Linha 1 envolveu aspectos como engenharia básica, engenharia de detalhe, especificações, projeto executivo, aquisição de materiais e equipamentos e traslado de maquinaria.

A decisão de realizar a modernização aconteceu em 2019. Em junho de 2020, houve a licitação internacional. Em dezembro de 2020, aconteceu a assinatura do contrato. Em 2021, houve a preparação de projetos, com vistas ao início dos trabalhos de modernização agora em julho de 2022.

O governo da capital mexicana faz questão de ressaltar que todo o processo vem sendo acompanhado pelo escritório das Nações Unidas para Projetos, considerando “assistência técnica, melhores práticas, projetos sustentáveis de alta tecnologia, transparência da gestão pública, eficácia e eficiência”.

LONGA INTERRUPÇÃO É INEVITÁVEL

Uma indagação surgida quando do anúncio da modernização era se os serviços poderiam ser realizados no período do dia em que o metrô não está em operação.

O governo explica porque os trabalhos não podem ser realizados apenas de madrugada ou por estação. Os trabalhos consideram a substituição e modernização de todos os sistemas.

Em situações normais, o Metrô da Cidade do México interrompe sua operação apenas de três a quatro horas por dia, tempo insuficiente para tarefas de entrada de máquinas, retirada de materiais e substituição novos componentes. A modernização de qualquer seção requer períodos muito longos para o cumprimento dos trabalhos.

Linha 12 está paralisada há 14 meses devido a um acidente em maio de 2021

A paralisação parcial da Linha 1 do Metrô da Cidade do México ocorre concomitantemente com a interdição há 14 meses da Linha 12, em razão do colapso de um trecho da via elevada.

Esse acidente ocorreu às 22h12 de segunda-feira, 3 de maio de 2021, quando um trecho de uma via elevada, entre as estações Olivos e Tezonco, cedeu, fazendo com que os dois últimos carros da composição caíssem sobre a avenida, o que deixou 26 mortos e dezenas de feridos.

O governo da Cidade do México estima que a conclusão da recuperação e o reinício dos serviços da Linha 12 acontecerão em dezembro de 2022. 

Para investigar as causas do acidente, foi contratada a empresa especializada norueguesa Det Norske Veritas (DNV), que entregou ao governo três relatórios. Os dois primeiros em linhas gerais mostravam que parafusos mal colocados, problemas de soldagem e uso de concreto fora dos padrões de qualidade causaram o colapso da viga.

O terceiro relatório, contestado pelo governo e motivo de rompimento do contrato com a DNV, indicou a falta de manutenção da Linha 12 do Metrô, como uma das causas de seu colapso.

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