Estudos apontam que o transporte coletivo continua não sendo um vetor importante de contágio, mesmo durante segunda onda da Covid-19. Por Roberto Sganzerla, especialista em Mobilidade Urbana.

Roberto Sganzerla

Desde o início da pandemia em 2020, vários estudos realizados na França, Reino Unido e Japão, vinham apontando que o transporto coletivo, quando operado com protocolos de segurança não apresentavam altos riscos de transmissão da covid-19.

Um recente estudo (março/2021) realizado pelo Imperial College London, os pesquisadores relataram que não encontraram vestígios de coronavírus na rede de transporte de Londres desde o início da repetição dos testes em outubro do ano passado.

A Press Association informou que tem coletado sistematicamente amostras do ar e da superfície em viagens de metrô eônibus, as amostras são retiradas dos saguões das estações e de áreas frequentemente tocadas, como escadas rolantes e máquinas de bilhetes, e que todos os testes foram negativos para todas as variantes.

O Dr. David Green, pesquisador sênior da Imperial, disse que as descobertas são “tranquilizadoras para os passageiros” e acrescentou que os testes em andamento serão úteis quando as restrições forem amenizadas. Ver aqui

Outro recente demonstrativo (15/03/21) realizado no Estado de Goiás e elaborado pelo Eng. Civil Benjamin Kennedy M Costa – Diretor Técnico da CMTC – Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos, compilou dados de 54 cidades.

A comparação de dados extraídos de fonte Secretaria Estadual de Saúde de Goiás demonstra que cidades sem atendimento por transporte coletivo apresentam percentuais de “casos” e “óbitos” por Covid-19, semelhantes ou até superiores aos municípios que tem transporte coletivo. Ver aqui

Portanto, se o transporte coletivo fosse um vetor importante de contágio, como a mídia equivocadamente tem informado, era de se esperar que as cidades no Estado de Goiás que tem transporte coletivo apresentassem índices superiores aos das cidades sem atendimento por transporte coletivo, ou mesmo das cidades com baixa capilaridade de atendimento por transporte coletivo.

No entanto o que se constatou foi que:

  • Cidades sem transporte coletivo apresentaram 7,02% na média de casos/população;
  • Cidades com transporte coletivo apresentaram 6,54% na média de casos/população (índice menor do que das cidades sem transporte coletivo);
  • Cidades sem transporte coletivo apresentaram 0,52% na média de novos casos/população;
  • Cidades com transporte coletivo apresentaram 0,35% na média de novos casos/população (índice menor do que das cidades sem transporte coletivo)

Quando analisada a média de óbitos/população, o índice de 0,13% é o mesmo encontrado tanto nas cidades com transporte público, como nas cidades sem transporte coletivo.

Outro ponto importante do demonstrativo foi que as cidades mais populosas do Estado de Goiás, como Goiânia e Aparecida de Goiânia, palco de constantes matérias sobre ônibus e terminais lotados nos horários de pico, apresentam índices de contágio inferiores do que em cidades pequenas e sem transporte coletivo, como Inhumas e Palmeiras de Goiás, por exemplo.

Portanto, à luz dos estudos realizados até o momento, não se pode afirmar que há relação entre o transporte coletivo e o aumento de casos de transmissão e/ou óbitos por Covid-19, ou que o transporte coletivo seja um importante vetor de transmissão, tanto na 1ª onda, em 2020, como durante a 2ª onda, em 2021.

O que vem a ratificar o Manifesto da FETPESP – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo, quando diz que são “infundadas as notícias de que os transportes coletivos apresentam altos riscos de transmissão do vírus, considerando que as empresas vêm seguindo todos os protocolos sanitários e investindo em modernas tecnologias na desinfecção da parte interna dos veículos”.

O que também ratifica o Presidente da UITP – União Internacional de Transportes Públicos, Pere Calvet: “Estudos mostram que o transporte público é seguro, desde que as regras sanitárias sejam seguidas. Precisamos reconquistar a confiança do passageiro paulatinamente, mas é necessário que a mídia e os governantes parem de passar informações duvidosas para a população. É importante uma estratégia de comunicação global”.

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