Na era dos ‘smartphones’, organizações de mobilidade estão prontas para digitalizar processos internos? Por Valeska Peres Pinto.

Há quem diga que uma revolução digital seja uma mera substituição de códigos: temos um sistema analógico, manual, e depois passamos a utilizar dígitos binários. Mas isso há muito tempo deixou de ser um problema, deixou de ser uma ansiedade, posto que muitos setores, por meio da automação, já passaram a utilizar dígitos binários para as suas operações.

Hoje se fala em Big Data. Muitos dizem que os dados serão o petróleo do futuro. O que tem de verdadeiro nisso? As organizações estão preparadas para a digitalização?

Eu diria que as organizações públicas e privadas estão sob uma dupla pressão. E as organizações do setor demobilidade urbana não escapam dessa situação.

PRESSÃO INTERNA

A primeira pressão é essencialmente interna, recaindo sobre os processos de gestão das organizações. Ou seja, existe uma pressão pela substituição de grande parte de suas rotinas manuais, apoiadas em pessoas, por processos digitais com uso intensivo de tecnologia.

Quando os processos digitais entram em cena, surge um grande problema para as organizações : elas passam a gerar milhares de dados, e são confrontadas com a ideia de ter de guardá-los, protegê-los e de fazer alguma coisa com eles.

Um primeiro exemplo de organizações do setor de mobilidade urbana que passaram a gerar milhares de dados – e se reclama que fazem muito pouco uso deles – é o segmento que adotou a substituição do dinheiro por cartões na cobrança das tarifas. Todo o sistema de bilhetagem eletrônica passou por esse processo.

Então, como se completa o ciclo digital?  Coletando dados, armazenando os dados e estabelecendo correlações entre eles e com outras categorias de dados obtidos de outras fontes, porque é desse exercício de correlações que vem a inteligência. Só aí é que se fecha o ciclo digital.

A maioria das empresas ainda está muito longe de fazer esse ciclo completo. Por que tais ciclos implicam não apenas investimentos em equipamentos, como exigem investimentos em pessoas com novas habilidades.

Os objetivos são muito simples: maior eficiência, redução de custos, superação da imprevisibilidade e maior segurança.  Mas eu falei de uma dupla pressão…

PRESSÃO QUE VEM DE FORA

A segunda pressão – e essa é inexorável!– vem de fora, da sociedade. Um dos aspectos mais significativos darevolução digital está justamente no seu impulso,que alcança não apenas as empresas privadas e as organizações públicas, mastodas as pessoas.

Percebemos que praticamente a nova geração já nasce sob o espírito digital. Desde pequenas, com seus tablets esmartphones, as pessoas também produzem dados, armazenam dados e os correlacionam.  Basta ver as mídias sociais e os novos hábitos de consumo.

Já neste ano, no Brasil, os dispositivos e os mercados digitais serão responsáveis pelo maior número de compras, superando os shoppings. Ou seja, os shoppings estão virando locais de experimentação, de teste; depois de verem e experimentarem, a maior parte das pessoas vai comprar na Internet.

A automação bancária no Brasil foi a porta de entrada da digitalização. Depois, veio a Internet e, agora, a Internet das Coisas, que está mostrando que máquinas falam com máquinas, pessoas falam com máquinas e é isso que vai continuar acontecendo cada vez mais intensamente no futuro. Definitivamente, estamos somente no início.

Eu gostaria de frisar que, com a intensificação da digitalização, o setor da mobilidade urbana tem muitos benefícios pela frente: a integração multimodal, a redução dos custos para os usuários, a melhoria da eficiência, a redução do tempo perdido das pessoas e das empresas, o fim do retrabalho e uma maior confiabilidade…

Tudo isso vai ser possível com a digitalização das organizações e com o alinhamento desse processo com os interesses da sociedade.

Novos players estão aparecendo. Todos eles são digitais: car sharing, uber… Vários mecanismos de aquisição de serviços de transporte já nasceram sob a égide do digital.

Temos que nos apressar e fazer com que a digitalização se torne uma realidade também no setor da mobilidade urbana, para que esse segmento deixe de correr o risco de perder seus passageiros e, mais que isso, consiga ampliar cada vez mais o número de clientes, viabilizando a sua sustentação.

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