Destruição e fuligem

As perdas do Metrô de Santiago devido a incêndios e depredações totalizam 200 milhões de dólares. Grande parte do sistema ficará fora de serviço por um tempo ainda não determinado.

Após as manifestações com entrada forçada em massa e depredações, que começaram em 11 de outubro de 2019, em protesto contra o aumento da passagem, o Metrô de Santiago sofreu perdas de pelo menos 200 milhões de dólares, de acordo com o balanço publicado pela própria empresa. Esse valor representa aproximadamente 2,7% dos 7,4 bilhões de dólares que estão sendo investidos no sistema com a ampliação das Linhas 2, 3 e 4 e implantação das Linhas 7, 8 e 9.

Trem calcinado na plataforma de uma estação queimada

Toda a rede metroviária permaneceu fechada durante o final de semana – 19 e 20 de outubro de 2019 – devido aos sérios danos que impediam (e em grande parte da rede ainda impedem) o sistema de ter as condições mínimas de operação.

O balanço revela que das 136 estações da rede metropolitana, 77 estão danificadas. Existem 20 estações incendiadas, das quais nove foram completamente queimadas. Na Linha 4, Los Quillayes, San José da Estrella, Trinidad, Macul, Protetor da Infância, Elisa Correa foram incendiadas; na Linha 4A, La Granja, San Ramón e Santa Julia.

Muitas mulheres no apoio ao trabalho de limpeza da estação queimada

Outras 11 estações foram parcialmente queimadas. Na Linha 5, foram parcialmente incendiadas as estações Gruta Lourdes, Barranca, Las Parcelas, Pedreros, Cummings, San Joaquín, Pudahuel e Laguna Azul; na Linha 1, San Pablo e República; na Linha 2, Vespucio Norte.

Existem 41 estações com danos múltiplos e 17 estações com danos menores. Por outro lado, seis trens estão danificados: um trem danificado na Linha 1, cinco trens danificados na Linha 4.

Muitas mãos para um trabalho longo e exaustivo

Vários sistemas estão inutilizados. Há sérios danos aos sistemas que protegem a segurança no trânsito (sistema de sinalização) dos trens nas Linha 4, Linha 4A e Linha 5. Há sérios danos aos sistemas elétricos da Linha 4 e da Linha 4A.

O site do Metrô de Santiago trouxe fotografias de uma estação queimada com palavras de agradecimento a vizinhos e funcionários que ajudam no trabalho de desbloqueio do prédio. Algumas dessas fotos ilustram esta matéria.

O ambiente sombrio das estações queimadas

ATITUDE GOVERNAMENTAL

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, declarou estado de emergência no país na noite de sexta-feira, 18 de outubro de 2019, situação que permanecia até a noite da segunda-feira 21 de outubro.

Em seu discurso no sábado, 19 de outubro – no qual anunciou a suspensão do aumento de passagens de transporte público e organizou uma mesa de diálogo “para ouvir as demandas da cidadania” -, o presidente Piñera mencionou 78 estações de metrô com algum tipo de dano e também citou a queima ou destruição de terminais e ônibus do sistema de transporte público.

A suspensão do aumento de passagens do Metrô exigiu a aprovação de uma lei proposta pelo Executivo. O projeto foi aprovado no domingo, 20 de outubro pela Câmara, e na segunda-feira, 21 de outubro, pelo Senado.

As autoridades informaram na segunda-feira que as manifestações resultaram em 11 mortes confirmadas. A imprensa chilena noticiou incidentes em Antofagasta e Concepción em meio ao toque de recolher a partir de 20 horas da segunda-feira em 11 regiões do país, incluindo a região metropolitana da capital, Santiago.

O FUNCIONAMENTO DO TRANSPORTE

No domingo, 20 de outubro de 2019, a ministra dos Transportes e Telecomunicações (MTT), Gloria Hutt, fez uma avaliação da situação e forneceu informações sobre a operação do sistema de transporte na Região Metropolitana de Santiago e outras áreas do país na segunda-feira 21 de outubro.

A ministra disse que apenas um trecho da Linha 1 do Metrô de Santiago estaria operacional e que oportunamente haveria informações sobre quais estações estariam acessíveis.

Mais tarde, o Metrô de Santiago informou que a operação seria realizada entre as estações Pajaritos e Los Domicos, das 7 às 20 horas.

Foi informado que a operação interna das estações seria apoiada por monitores enquanto os inspetores do Ministério dos Transportes e Telecomunicações estariam disponíveis para apoiar as pessoas.

A Linha 1 tem 27 estações. Duas dessas estações estiveram fechadas na segunda-feira, 21 de outubro, e em outras oito estações os trens não pararam. Assim, 17 estações estavam em operação no primeiro dia útil após depredações.

Todas as outras linhas do Metrô em Santiago não estarão disponíveis por um período ainda não definido. “Apesar do trabalho muito forte que está sendo feito, é improvável que eles estejam concluídos dentro de um tempo curto”, disse a ministra.

OUTROS SISTEMAS DE TRILHOS

Em relação à operação de trens em Santiago, a ministra informou no domingo que o sistema Metrotren está em condições de continuar operando. Este sistema operaria já na segunda-feira, 21 de outubro, com frequências normais, mas sem parar nas estações Lo Espejo e Pedro Aguirre Cerda, que estão danificadas.

O metrô de Valparaíso estaria pronto a funcionar normalmente, exceto na estação Bellavista. O trem Victoria-Temuco está programado para operar normalmente o mesmo acontecendo com os trens Talca-Constitución e Biotren, em Concepcion.

ÔNIBUS E TAXIS

Quanto ao sistema de ônibus em Santiago, a ministra disse: “Todos esses eixos importantes estão sendo reforçados, com as rotas habituais de Transantiago, com ônibus especiais, com serviços de táxi que serão compostos de táxis coletivos e táxis básicos”

Quanto às regiões, ficou estabelecido que as secretarias regionais avaliariam como os táxis funcionariam, considerando suas respectivas necessidades. Os ônibus rurais estão autorizados a chegar ao centro; em situação normal, esse tipo de transporte tem autorização para chegar apenas às estações de intercâmbio modais que estão nos setores da periferia da cidade.

Gloria Hutt explicou que os ônibus interurbanos de empresas privadas estariam operando de acordo com o que cada empresa determinasse e avaliasse. A recomendação é que os passageiros consultem as informações que cada empresa oferece para agendar viagens. A ministra ainda garantiu que os terminais estariam protegidos.

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